11.5.07

Dias-não

Em dias-não, quando o feitio cai pela caixa do elevador umas dezenas de andares, não consigo perceber muito bem se pinto tudo de negro ou se é de cor-de-rosa nos outros dias. Tá bem que ando a resmungar o tempo todo e a responder mais torto, mas não me consigo impedir de pensar que as coisas que me aborrecem são muito reais e o que lhes acontece é serem ignoradas em dias mais sim. Nesses arredo-as do caminho com um encolher de ombros ou um biqueiro, nestes deixo-as ali ficar e observo-as com mais atenção: olá coisa chatinha número sete. Estás aí outra vez? E estás porquê? Por acaso? Ou de propósito para me chatear e hoje acertaste mais no alvo? Ou percebeste que hoje tinhas mais hipótese de me acertar e ficaste logo mais aguçada?

Claro que a coisa chatinha número sete (ou a três, a seis, a dez) não responde até porque eu, apesar de tudo, não nasci ontem e sou uma desconfiada de merda, não lhe pergunto nada. Se estiver com paciência, vou de volta e digo BU! a ver se salta. Às vezes salta, concluo que não era uma coisa chatinha inocente, estava ela mesma a assobiar para o ar a ver se eu não dava por ela. Outras vezes não salta e um gajo pensa, ok, isto é de mim, venha a número oito então.

BU!

 
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